quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Município acéfalo?

Já ouviram falar de um município acéfalo?

Prefeito exonerou 289 comissionados, incluindo secretários municipais, que foram convidados a continuar na pasta sem remuneração...

Infelizmente é real em Ceará-Mirim/RN.

Prefeito exonera 289 comissionados


“Não há quem consiga fazer milagre”

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

2º turno: Serra e Dilma estão empatados

Pesquisa recente aponta empate entre Serra e Dilma.

Resultado: clique aqui.


domingo, 3 de outubro de 2010

Boa votação praticando o voto bom - 2010!

O nosso Blog deseja a todas e todos uma boa votação praticando um voto bom.

Pratique seu exercício de cidadania, com ou sem onda ou com ou sem chuva!

Boa sorte para o nosso Brasil!

Tô ligado na política.
Editor

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O APAGÃO

Por Fabricio Quadros Borges*

Após problemas no Sistema Interligado Nacional, que envolveram o centro de carga Sudeste/Centro-Oeste, o país assistiu a desligamentos automáticos do sistema de transmissão que vincula Foz do Iguaçu a Tijuca Preto, e do sistema de transmissão e sub-transmissão dos Estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, isto é, um blecaute atingindo 18 Estado brasileiros. Os meandros desta questão tão interferente no cotidiano de cada um de nós revelam dois cenários de reflexão.

No primeiro, em curto prazo, destaca-se a necessidade de se estabelecer um processo de gestão que não apenas reconheça que a geração de eletricidade se desenvolve em uma ampla cadeia integrada de produção, mas que estabeleça mecanismos mais eficientes que acompanhem a operação e o desempenho de cada segmento de composição da cadeia de energia elétrica, onde uma Usina como a de Itaipu representa apenas um agente do segmento de produção, e somente chegará aos domicílios através de interações com os segmentos de transmissão (ponto nevrálgico do apagão de ontem) e de distribuição. No segundo, em longo prazo, evidencia-se mais uma vez o despertar para uma releitura da matriz ene rgética brasileira, que apesar da manutenção de seu perfil hídrico, poderia diversificar possibilidades estratégicas através de fontes alternativas, que reduzissem a responsabilidade do sistema hídrico, o que poderia, inclusive, representar uma redução da emissão de gases poluentes oriundos das hidrelétricas brasileiras.

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*Pós-Doutorando pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) da Universidade de São Paulo (USP) e Doutor em Desenvolvimento Socioambiental e Mestre em Planejamento do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Pará.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mais uma morte "antes da hora"!

Antes de publicar os textos aqui no BLOG sempre os trocamos entre amigos (as). Neste post, em especial, resolvemos publicar uma troca de e-mails que tivemos antes de postá-lo no BLOG, pois trata-se de um assunto que vem impactando diretamente no cotidiano de todas (os) os habitantes de nosso planeta.
Vamos aos bastidores da publicação do texto:

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2009/10/8
De:Henrique
Para: Fabio
Assunto: Qual a pergunta certa?

Grande amigo, tudo bem? agora a pouco soube que um amigo foi assassinado por 3 pessoas aqui
onde moro. Essas coisas nos causam uma revolta profunda, pois logo as conectamos com outros acontecimentos semelhantes e ficamos com uma sensação de impotência muito grande frente ao acontecimento. Estou ainda um pouco transtornado com a noticia e me veio a vontade de escrever algo no BLOG. Sei que tudo que eu escrever agora pode ser e, mas mesmo assim o fiz. Antes de publicar gostaria de saber o que você acha.
Obrigado,
Henrique

Qual a pergunta certa?
Uma pergunta para começar nossa conversa: você conhece alguém que nunca tenha sido vítima de algum tipo de violência causada pela ineficiência do Estado? Um assalto? uma sentença judicial injusta? um atendimento equivocado do SUS? enfim, passaríamos por horas aqui enumerando todos os transtorno causados pela ineficiência que geram tantas mazelas.

Entretanto, uma tem chamado atenção em especial: a violência física causada
pela ineficiência das políticas de segurança pública. Os dados são alarmantes e o cotidiano os confirmam, ou seja, basta perguntar para as pessoas: você conhece alguém que nunca foi assaltado ou vítima de uma violência semelhante? Êpa, que estranho, a pergunta não deveria ser: você conhece alguém que já foi assaltado?

Editor
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From: Fabio
Date: 2009/10/9
Subject: Re: Qual a pergunta certa?
To: Henrique

Poxa, eu sinto muito por este seu amigo. Muito mesmo. Ultimamente, cada notícia que eu vejo sobre gente morrendo "antes da hora" (na hora certa: "morrer de velho") tem me chocado e entristecido. Dizem que o tempo costuma nos calejar para as desgraças da vida, mas minha impressão é que estou ficando cada vez mais sensível às mazelas da sociedade. Ando inconformado com tudo.
Concordo com sua indignação sobre o que deveria ser regra (nunca ter sofrido violência) ter virado exceção.
De fato, a segurança pública no Brasil --em alguns estados mais do que em outros-- ainda está muito distante das boas práticas internacionais.
Mas mesmo a melhor polícia do mundo não consegue proteger seus cidadãos 100% do tempo em 100% dos lugares. Enquanto houver criminosos, o crime acontecerá onde não houver polícia naquele determinado momento (não consegui encontrar agora, mas há estudos com mapeamento territorial de crime que mostram que o policiamento em uma área empurra a criminalidade para as áreas menos policiadas, tudo mais constante).
A polícia age tentando controlar os efeitos, as conseqüências, mas tem pouco a fazer com relação às causas. Estas são frutos de outras violências, cometidas pelo Estado (garantia de direitos fundamentais e condições mínimas de vida, intermediação justa e pacífica de conflitos interpessoais etc.), pela família (violência contra a criança, incapacidade de transmitir bons valores e expectativas de condutas morais etc.) ou por seus semelhantes (violência que gera violência em retorno). O ciclo se realimenta.
Claro, há exceções: o policiamento comunitário é uma estratégia que pode atuar, sim, preventivamente, identificando com bastante antecedência sinais de desordem social que podem escalar para alguma atividade com maior potencial ofensivo e, neste caso, agir antes que o pior aconteça. E há estudos bastantes mostrando como as pequenas desordens sociais levam a desvios de conduta mais graves.
Mas nunca haverá um policial em cada residência, para evitar todos os episódios de violência doméstica, ou uma em cada bar, para evitar as brigas que escalam para assassinato. E ousaria dizer que isso nem é de interesse da população, que sentiria acuada e com sua liberdade tolhida pela polícia.
Temos, então, que refletir sobre se queremos apenas colocar tudo na conta da política de segurança pública, exigindo que mais gente vá para a cadeia (já superlotada), e fazendo com que as pessoas tenham deixem de cometer crimes por medo de ir presas, ou se queremos "fechar a fábrica de crimimisos" e inverter a lógica da violência, de maneira que as pessoas não cometam crimes por princípio, mesmo que ninguém esteja olhando. A polícia pode cumprir um valor educativo nessa transição, mas muitas das responsabilidades devem recair às outras instituições do Estado e, não nos esqueçamos, da própria sociedade (40% ou mais da economia brasileira é ilegal ou informal -- se fôssemos seguir a letra da lei para todos, o País hoje entraria em convulsão social).
Mas tudo isso acima são reflexões mais gerais. No caso deste seu amigo, a polícia pode ter falhado, sim. Não tenho informações suficientes para julgar. Mas tenho certeza de que muitas outras instituições do Estado também falharam nesse episódio.
Mais uma vida roubada, arrancada. Mais uma morte "antes da hora". Triste, muito triste.
{}s,
Fabio

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Da África para o Brasil!

Não vamos falar da crise do Sarney! Não!!! Vamos dar isso a mesma atenção que o referido Senador deu ao Brasil enquanto Presidente, ao seu estado de origem enquanto mandatário (Maranhão) e ao atual estado em que atua (Macapá), ou seja, vamos mudar de assunto.

Tenho um primo que mora em Guiné e que acompanha nosso BLOG com freqüência. Comentei com ele sobre a série que estamos escrevendo e pedi alguns comentários sobre algumas questões importantes que ele consegue ver de lá.

Sinceramente, esperava algo como a crise da fome, da miséria, entre outros problemas, mas, s-u-r-p-r-e-s-a, pois ele comentou sobre a crise que cerca a política de reaproximação dos EUA com o mundo muçulmano e na procura de paz entre judeus e palestinos. Abaixo serei fiel às palavras dele:

“A esta altura este e-mail já deve estar sendo monitorado pela CIA. Felizmente nada ocorreu ao Obama e espero que nada aconteça e que ele continue sua política de re-aproximação, especialmente com o mundo muçulmano e na busca de uma convivência pacífica entre judeus e palestinos, com o reconhecimento por parte de Israel. Na parte norte da África, onde fica a parte árabe e muçulmana mais xiita, a resistência ao Obama e aos Estados Unidos é maior, pois tem uma serie de fatos históricos onde ainda existe uma grande desconfiança, sem contar que há focos terroristas em alguns países. Já aqui na África Sub-saahariana, a parte mais pobre e humilde da África, os muçulmanos são moderados, e existe uma admiração e respeito pelo Obama, acho que em boa parte pela forte presença americana através de ajuda humanitária. Todos esperam uma maior aproximação e que isto possa representar a entrada de mais recursos capazes de transformar a situação atual. As maiores ações sociais, no entanto, são nos países anglofonos, mais a Sul, visto que a presença da França em suas ex-colonias ainda é forte e dominante. Agora o Obama está indicando novos embaixadores para os paises Africanos e penso que a partir desta ação ele vai poder começar a implantar de fato sua política e montar a sua estratégia. Vamos aguardar, pois há muito que ser feito”.

De um extremo ao outro do mundo é possível identificarmos suas crises, nos formatos mais variados possíveis, onde as variáveis políticas e culturais parecem ser os instrumentos de manipulação para o bem ou para o mal.

Que vença o bem para o mal das crises!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Existe alguma crise com as escolas e os jovens?

Por Patricia Mendonça (Doutora em Administração Pública e Governo pela FGV-EAESP e professora do Centro Universitário FEI.)


No último dia 22 de Julho praticamente todos os meios de comunicação brasileiros noticiaram a divulgação do estudo sobre a mortalidade dos jovens brasileiros, realizado pelo Laboratório de Análise da Violência da UERJ, Observatório das Favelas, Secretaria de Direitos Humanos de Presidência e pelo UNICEF.

O levantamento foi feito em 267 municípios com mais de 100 mil habitantes. O quadro é assustador. No Brasil 46% das mortes dos adolescentes são por homicídio! Outros 25% são por causa naturais, e 23% por acidentes. Foi calculado o IHA, Índice de Homicídios na Adolescência, e o valor médio do IHA para os 267 municípios pesquisados é de 2,03 adolescentes mortos por homicídio antes de completar os 19 anos.

No ranking da violência da população jovem, destacam-se Foz do Iguaçu, na liderança, seguida de Governador Valadares e Cariacica. Entre as capitais, Maceió e Recife aparecem nos primeiros lugares.

Sem perspectivas na maior parte dos centros urbanos, a criminalidade acaba sendo um caminho quase natural de muitos jovens.

Isto nos leva evidentemente a nos indagar coisas do tipo: Por quê não investimos mais em educação? Por que não damos mais oportunidades a estes jovens?

Bem, tenho convivido com jovens nas salas de aula onde leciono. Talvez não seja uma amostra muito significativa, já que as instituições de ensino superior em que trabalho servem a jovens de classe média e média alta.

Mas, também acompanho de perto relatos de amigos que convivem com jovens em situação de exclusão, na qualidade de educadores, como minha mãe, que é professora de uma escola pública em Salvador, ou outras amigas, que são monitoras de projetos culturais ligados á profissionalização e complementação educativa, em ONGs, em São Paulo.

Olhando mais de perto, talvez possam existir algumas similaridades.... Há uma grande inquietação entre os adolescentes na sala de aula.

Eu, que nem sou tão velhinha assim, fico pensando aqui com meus botões, como eles conseguem assistir aula, falar ao celular e ouvir os ipods ao mesmo tempo? Uma pergunta similar que minha mãe se faz na sua escola estadual lá em Salvador.

Perpassa o comportamento desses jovens, além da inquietação, uma agressividade e desilusão com a realidade que os cerca e com o seu futuro. Vejo isto quase todos os dias na faculdade que ensino. E também ouço das amigas que trabalham nas ONGs. Um filme que permite captar esta agressividade e falta de perspectiva é o documentário Pixo, sobre os jovens pixadores de São Paulo.

Além de me indignar com o fato de não receber a atenção que achava que deveria merecer como professora na sala de aula, fico também indignada com o fato de que, no relatório publicado pelo UNICEF e companhia, há a estonteante informação de que em cada 1000 brasileiros, 2 vão morrer assassinados antes de completar 19 anos!

E mais ainda, este estudo apareceu e sumiu na mídia com a mesma velocidade, sem que a opinião pública pudesse dar o devido espaço para a sua reflexão. O espaço era todo de Sarney, políticos corruptos e companhia.

Por fim, coloco aqui, então, minhas reflexões e indagações.

Algo parece estar fora do lugar com as instituições educacionais! Será que o mundo mudou e a escola não? O Marcelo Tass (do grande CQC!) observou que basta chegar na periferia e ver que as lan houses se multiplicam e que os jovens todos andam com pen drive pendurado no pescoço, virou sinônimo de status! Certamente passam quase o mesmo tempo, ou mais, na lan house, que na escola. Não deixam de atualizar seu Orkut nem um dia sequer! Marcelo Tass, queria acrescentar que também vi este fenômeno numa cidade de 20 mil habitantes no interior da Bahia.

E pensamos tanto em melhorar a educação e garantir o futuro de nossas crianças. Ocorre que depois elas crescem, tornam-se adolescentes, passam a desgostar ainda mais da escola e amar ainda mais o computador. Será que temos dado a devida atenção a eles? Quais são as políticas voltadas para a juventude que temos hoje?

Não sei se é por causa do computador, mas estes jovens parecem estar se aproximando das políticas de comunicação, como mostra a matéria ‘Juventude debate propostas para Conferência Nacional de Comunicação.

Alô alô governantes e educadores, será que este seria um dos caminhos?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O vendedor ambulante e o garrafeiro: crises diferentes?

Recentemente tivemos a oportunidade de visitar um pequeno município no litoral brasileiro, na região Norte, com lindas praias e com uma população estimada em 37.000 habitantes (IBGE, 2007). Em períodos de férias, como o mês de julho, por exemplo, sua população sazonal chega a aproximadamente 50.000 habitantes, ou seja, uma verdadeira turbulência econômica local por temporada.

A população local parece habituada com isso e para parte significativa dela tal acontecimento é motivo de comemoração, porque há um real incremento na

renda familiar de muitos, tanto por meio das atividades do mercado formal, quanto do informal, como lembra dona Vânia, moradora do bairro do Barreiro: “Esses meses de feriado já ajudou muito a gente. Ajudou a levantar minha casa, graças a Deus”. Porém isso não é uma característica somente de Salinópolis (PA-BR), pois tal “fenômeno” ocorre em tantos outros lugares no Brasil e no mundo que, com certeza, guardam suas belezas e peculiaridades econômicas e sociais.

Ao andar pela orla incrementada deste município encontrei um vendedor ambulante parado, protegendo-se dos raios do sol, vendendo água, refrigerante e cerveja. Logo pedi uma água pra refrescar-me do calor de aproximadamente 38º e perguntei como andavam as vendas. Com um olhar preocupado ele disse:


Tem menos gente que no ano passado e tô vendendomenos também. Tá pegando! Essa crise pegou o pessoal que tem grana e que vem pra cá. Como eles não tão gastando eu num tô ganhando. Tomara que ela passe logo, porque daí melhora pra todo mundo daqui, né?”.

Sendo assim, é interessante pensar que os impactos da crise não podem ser generalizados para todos os lugares como querem alguns setores da mídia, mas podem ser relacionados com diversas situações. Ao observar a reação do Garrafeiro (último post de nosso BLOG), que se encontra praticamente no mesmo patamar financeiro que o ambulante, as suas convicções e idéias quanto à crise parecem ser distintas. Isso pode ser reflexo de vários aspectos, dentre eles os lugares e as situações que vivem, a atuação de seus governos locais, sua relação com a família, entre outras coisas.

Bem, parece então que, o que é possível generalizar nessas conversas, seria a não generalização dos efeitos da crise que pode nos mostrar várias facetas da sociedade em que vivemos e a reação das pessoas que a compõem como, no caso do Garrafeiro e do Vendedor Ambulante. Mas, fica a pergunta para o leitor que nos acompanha: o que seria possível generalizar em ambos os casos? o que teriam em comum? em que medida há responsabilidade do Estado (Executivo, Legislátivo e Juduciário) para ambos os casos? outras perguntas...

Boa reflexão para os comentários!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A crise do Garrafeiro

Hoje inauguramos uma série de Posts sobre a Crise. Acompanhe, critique e escreva para o BLOG!

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Por Henrique Heidtmann Neto (Este post contou com a ajuda e reflexão crítica de Fábio Storino, que não é garrafeiro).

Atualmente muitas pessoas ligadas à política, à mídia e a outros campos de atuação vêm noticiando que a crise está passando e, de certa forma, corroborando que realmente foi uma “marola”. Porém, antes de tudo vale perguntar de qual crise estamos falando?

Seriamente estamos falando de uma crise cíclica ligada diretamente aos mercados financeiros. Bem, se olharmos a história recente, em 1929 tivemos a primeira delas, o que levou muitas nações a uma derrocada jamais imaginada. Entre a crise de 1929 e a atual tivemos outras crises dentro deste contexto, mas com um ciclo previsível de queda e reparação, independente dos impactos. Em suma, já sabemos que um dia esse tipo de crise vai ocorrer novamente!

Por outro lado, temos outra crise que não é cíclica e antecede a primeira de 1929 e que penaliza a maioria da população mundial, qual seja: a crise social. Esta semana fui andar em um bairro de uma grande cidade da Amazônia, que fica aos arredores de uma universidade pública. Parei pra tomar um cafezinho em uma padaria, paguei a conta e, ao sair, encontrei um homem, de bermuda, sem calçado e sem camisa (em função do sol forte, talvez) empurrando um carrinho cheio de garrafas com um mastro pendurando vários sacos com algodão doce. Aquele homem troca algodão doce por garrafa. Na Amazônia as pessoas o chamam de Garrafeiro, uma ocupação comum na periferia.

Aproximei-me dele, falei um “bom dia” e logo de imediato puxei assunto perguntando pra ele sobre a crise. “E a crise?” Sabe a resposta? “Qual crise? A da televisão ou a que eu vivo todo dia?” Como uma pessoa muito simpática que era ele continuei a conversa e ele, resumidamente me disse: “pra encurtar a conversa: eu vou no posto e o médico que devia chegar as 7h só chega meio-dia! Eu vou pro pronto-socorro e não tem lugar pra ser atendido! Na escola não tem carteira pro meu filho sentar!”

Eu preciso dizer mais alguma coisa? Bem, acho que a crise do Garrafeiro nunca passou!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Revoluções Silenciosas -> As Escolas Municipais do Campo em Araraquara.

Continuação da série "Revoluções Silenciosas".
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O município de Araraquara, no estado de São Paulo, é um dos lugares onde se observa que é possível fazer educação no campo ao redor de assentamentos, de forma responsável em nosso Brasil (com todas as inúmeras limitações noticiadas no cotidiano). As Escolas Municipais do Campo - Hermínio Pagotto (Assentamento Bela Vista), Eugênio Trovatti (Bueno de Andrada), e Maria de Lourdes da Silva Prado (Assentamento Monte Alegre) são exemplos de ações públicas inovadoras que vêm revolucionando silenciosamente a gestão pública no Brasil.

Para o coordenador executivo da Secretaria Municipal de Educação “As três escolas do campo estão equipadas, resolvidas e avançando cada dia mais nas questões pedagógicas. As escolas já atingiram um ponto, onde têm uma estrutura física completa, quadro de funcionários completo, participação efetiva na comunidade escolar da cidade, com alunos premiados em olimpíadas e concursos. Realmente, as escolas são um exemplo para o Brasil e para tantos que não acreditam que, nos pontos mais remotos desta cidade, podemos ter uma educação de qualidade”.
A Diretora da Escola Municipal Hermínio Pagotto (Assentamento Bela Vista) comentou que "Existe uma história de luta para chegar onde chegamos. Existe uma história de dedicação de cada um que faz parte do passado e do presente da nossa escola. Compromisso, fraternidade e o nosso laço forte com a terra, fazem a nossa Escola tão especial com crianças e jovens tão especiais e dedicados".
Essa é uma ação pública que vale a pena conhecer, visitar e aprender como se faz um Brasil diferente!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Revoluções Silenciosas -> Projeto Bibliotecas Comunitárias

Hoje o nosso BLOG inaugura a série "Revoluções Silenciosas". Trata-se de um conjunto de matérias que apresenta exemplos de ações públicas (aparentemente invisíveis para a maioria da sociedade) que podem trazer bons resultados para a sociedade mais pobre, tanto em centros urbanos, quanto em centros rurais, em pequenos, médios e grandes municípios brasileiros. Para este ciclo de matérias entende-se que a pobreza não está somente relacionada com as questões econômicas, mas ligada (também) a falta de eficiência do Estado em gerenciar políticas públicas que possam se conectar com as demandas da sociedade.

A primeira matéria foi escrita por Lara Simielle que apresenta o projeto Bibliotecas Comunitárias.

Por Lara Simielle*

Projeto Bibliotecas Comunitárias

O Instituto Ecofuturo, por meio do Programa Ler é Preciso, realiza o projeto das Bibliotecas Comunitárias, em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Este projeto visa incentivar e fortalecer a articulação entre os atores sociais das comunidades a partir de suas participações na implementação do projeto. Atualmente, 75 Bibliotecas Comunitárias Ler é Preciso foram implantadas, em sete estados, atendendo a um público estimado de 825 usuários/mês em cada biblioteca. Entre os patrocinadores estão: Avon, CSN, CRVD, FCA, Holcim, Philips, Politeno, Suzano Petroquímica, Suzano Papel e Celulose, Oi Futuro, JHSF, Telefônica e Satipel.

As Bibliotecas são implantadas, prioritariamente, em locais com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), altos indicadores de violência, e que possibilitem o estabelecimento de parcerias, preferencialmente dentro de escolas públicas, com a contrapartida de que sejam abertas à comunidade. O projeto oferece acervo de mil títulos, sendo 30% do acervo decidido junto com a comunidade, equipamento de micro-informática para gestão do acervo e cursos de formação para agentes promotores de leitura e auxiliares de biblioteca (80% formado por professores), com o objetivo de disponibilizar conhecimento para a organização e para a implementação de ações que promovam a leitura e tornam a biblioteca viva.

Neste ano serão implantadas 10 bibliotecas, uma delas em Belterra, no Pará, em parceria com o Programa Saúde e Alegria.

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* Lara é Mestra em Administração Pública e Governo pela FGV-EAESP e atualmente trabalha no Instituto Ecofuturo, no Projeto Bibliotecas Comunitárias do Programa Ler é Preciso. Para saber mais clique aqui.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Reação de Hugo na Venezuela!

Pessoal, os últimos acontecimentos envolvendo o Presidente venezuelano Hugo Chaves não poderia deixar de ser comentado aqui. Procuramos o Prof. Marco Antonio Carvalho Teixeira*, um dos mais renomados Cientistas Políticos do Brasil, que com exclusividade para o nosso Blog comentou o fato:
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"A expulsão de representantes da ONG de direitos humanos Human Rights Watch do território venezuelano revela não apenas a já conhecida dificuldade de Hugo Chavez em conviver com eventuais críticas dirigidas ao seu governo, como também pode representar um novo obstáculo para a ação das entidades que se articulam na cooperação internacional em defesa dos direitos humanos, sobretudo se governantes de outros países resolverem seguir o receituário chavista. Convêm lembrar que a Human Rights Watch realiza esse mesmo trabalho em diversos países e que inclusive já denunciou o Brasil por violação aos direitos humanos, o que descaracteriza uma suposta armação do ´imperialismo norte-americano´ como quer fazer crer o governo da Venezuela".
Você já refletiu sobre isso?
Um abraço,
Editor
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* Marco Antonio Carvalho Teixeira é Professor da Fundação Getúlio Vargas da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV-EAESP) e Doutor em Ciência Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

domingo, 13 de abril de 2008

Células Tronco e a raiz da questão!

Por Júlia Rodrigues*
Para muitos a utilização das células tronco em tratamentos é a única esperança que há para a cura de doenças, tais como mal de Parkinson e problemas na medula espinhal. Já para outros, o uso de células originárias de embriões significa privar o embrião do direito à vida, ou seja, matá-lo antes mesmo que ganhe vida.

Não há nenhuma questão antiética em fazer pesquisas com fetos, se é que posso chamá-los assim. Alguns cientistas e religiosos defendem a tese que a vida começa na fecundação, e por isso o Superior Tribunal Federal deveria barrar a Lei de Biossegurança, aprovada pelo Congresso em 2005, a qual garante que embriões congelados há mais de três anos, com autorização dos pais, podem ser estudados pelos pesquisadores.

Essa idéia de que a vida começa na fecundação é completamente infundada, se baseada na teoria que a vida humana só é considerada quando há atividade cerebral, mas o embrião só passa a ter o cérebro ativo com mais de catorze dias de vida. Sem contar que o material em questão jamais terá alguma chance de viver, uma vez que já estão congelados há muito tempo, se não utilizados em estudos e provavelmente serão jogados no lixo.

Jogar no lixo a única esperança de curar algumas doenças não será uma atitude ética. Diversos países já adotam esse meio de tratamento. Por que não o Brasil? Caso o STF desaprove a Lei da Biossegurança, só a elite terá acesso ao tratamento e, conseqüentemente à cura, pois é certo que procurarão tratamento no exterior. Em um país onde as condições de saúde não são das melhores, temos que nos agarrar a oportunidade que temos de fazer esse setor tornar-se democrático.

Não há a menor dúvida de que, mais uma vez, a igreja queira interferir em questões de suma importância governamental e populacional. Com todo respeito aos religiosos, mas já saímos da Inquisição faz tempo. Imaginem se a camisinha fosse proibida como a igreja queria? Provavelmente viveríamos em uma geração de aidéticos e outras tantas doenças sexualmente transmissíveis. Infelizmente, ainda hoje, a ciência é vista como inimiga da religião. Ambas deveriam andar de mãos dadas, a ciência revolucionando para que a vida humana seja melhor, e a igreja instruindo os fiéis como tirar melhor proveito disso.

Até quando continuaremos privando pessoas de levarem uma vida normal, por questões até então morais, mas que por outro lado já passaram a ser imorais faz tempo? Se Deus deu a sabedoria ao homem, por que não utilizá-la?
O STF deverá votar essa Lei em breve. Que Deus ilumine a cabeça dos nossos ministros!
*Júlia Rodrigues tem 18 anos e é estudante do 3º semestre de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo e, também, é estagiária de jornalismo da Fundação Getúlio Vargas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Políticas de conservação da natureza: quem é quem?

Por Ariadne Peres*

Em Resgatando a Natureza, Marcus Colcherster escreve sobre a legitimação dos direitos consuetudináros em unidades de conservação (UC). Iniciando relata que mesmo com o conhecimento científico e a ação de entidades conservacionistas, ainda permanece a idéia da natureza separada da humanidade. No passado, a natureza era vista como o mal, a brutalidade da qual a civilização deveria se apartar. Contudo, esta percepção mudou. A natureza passou a ser o mundo não corrompido pelo homem civilizado. O homem selvagem, o homem não maligno, imaculado, não corrompido pelo homem branco. A natureza passou a ser o refúgio, o resgate da condição não corrompida, escape para os males da civilização, para recreação do espírito humano. Criaram-se então os parques nacionais que vieram a influenciar os padrões globais de conservação, defendidos então pelos chamados conservacionistas. O mundo selvagem passou a ser reverenciado como refúgio da biodiversidade que precisava ser preservada na qual o ser humano não era incluso, mas era o seu principal algoz. Nesta concepção, surgiram UC para manter o ser humano impactante longe da biodiversidade a ser preservada. Nestas áreas as populações residentes eram forçosamente retiradas, reforçando desigualdades sociais, furtando seu direito de propriedade bem como dos saberes vivenciados naquele ambiente. As áreas protegidas impuseram visões de elite sobre o uso da terra que resultaram na alienação das terras comunais em favor do Estado. A visão conservacionista pretensiosa era a de hegemonia ocidental, desrespeitando outras construções culturais por outros povos, que possuíam visões bem diferentes de relação com a natureza. A construção histórica de uma população está relacionada com a sua interação na paisagem, na natureza. Os conservacionistas começaram então a perceber que os planos de manejo ambiental não dariam certo se as dimensões sociais fossem ignoradas e marginalizadas. As políticas de conservação até então eram introduzidas por pessoas de fora e legitimadas em alianças com o Estado.
Muitos têm argumentado que as sociedades tradicionais (Índios, Quilombos, ribeirinhos, etc.) vivem em plena harmonia com o seu ambiente, e por isso detêm as melhores formas de manejo dos recursos presentes. Este argumento inclusive é usado pelas próprias comunidades para resguardarem seus direitos. Mas é um equivoco achar que elas detêm uma ética conservacionista ou que o manejo por elas impetrados jamais degradarão o meio. Até porque tais comunidades com o passar do tempo absorvem novas tecnologias, o que altera suas relações com o meio em vários aspectos. As comunidades tradicionais possuem regras e costumes que muitas vezes são bem diferenciados daqueles que compõe o universo conservacionista. Assim pesquisadores precisam assessorar ações de manejo em áreas onde estas populações estão assentadas, mas jamais substituí-las em suas decisões. Auxiliar na organização das mesmas e no sentido de constituírem uma autoridade central que dialogue com instituições externas.
Poderia discorrer muito mais no pensamento de Colcherster, porém finalizando prefiro deixar algumas inconclusões... no dialogo com populações tradicionais, seria então uma batalha a busca de um consenso pois, em beneficio de quem os recursos devem ser conservados?Quem terá o poder de contestação?Quem teria a autoridade de manejar de forma prudente e em beneficio das gerações futuras?


* Ariadne Peres tem Mestrado em Zoologia pela Universidade Federal do Pará (1999) com área de concentração em Ecologia. Atualmente cursa o Doutorado em Ciências Sociais (Antropologia). É professora Assistente II da Universidade Federal do Pará. Tem experiência na área de Ecologia. Atua principalmente nos seguintes temas: antropologia (populações humanas em unidades de conservação), educação ambiental, ecologia, educação (formação inicial e continuada) dentro da tríade ensino,pesquisa e extensão. Coordena o Grupo de Pesquisas e Estudos de Ed. Ambiental (NPADC/UFPA)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O lado bom da Desigualdade Econômica: será o diabo tão feio quanto se pinta? (Parte 2)

Por Sergio Luiz de Moraes Pinto*(Para ver a primeira parte clique aqui)

No artigo anterior comecei a debater se a desigualdade na distribuição de renda é tão ruim quanto se imagina, apresentando o caso de um país que na luta pela igualdade criou uma economia ineficiente, com baixíssima produtividade do trabalhador. Como alguém poderia argumentar que este país era originalmente pobre, vou então discutir a igualdade de renda em um país rico.

Neste país os trabalhadores de alta renda são fortemente tributados, e o Estado, realmente compromissado com a igualdade, distribui esta renda sob a forma de serviços, como educação, saúde, programas de complementação de renda, seguro desemprego e tudo mais que um welfare state exemplar deve fazer. Os muito ricos podem chegar a ser tributados em 95% de suas rendas (Clique aqui e conheça o caso de uma escritora cuja alíquota de imposto certo ano chegou a 102% !!!). O valor arrecadado desta camada muito rica é distribuído socialmente, por exemplo, entre desempregados, inclusive para os que não conseguem se adaptar a exercer qualquer tipo de trabalho, e preferem ficar surfando na Espanha. Logicamente nem todas as formigas querem sustentar cigarras, e acabam imigrando para paises menos vorazes.
Mas, neste nosso processo de pensarmos sociedades com diferentes comportamentos em relação à desigualdade, não podemos nos furtar de imaginar um terceiro país.
Este novo país, tropical e abençoado por Deus, tem uma renda per capita média-alta, mas fortemente concentrada nos 5% mais ricos de sua população. O Estado, voraz fiscalmente, tributa igualmente o pobre e o rico, e tem um esquema pífio de distribuição. Os serviços públicos são de má qualidade, especialmente a educação, saúde e segurança. Os filhos dos mais ricos freqüentam escolas particulares, de melhor qualidade, e são aprovados em universidades públicas, de muito bom nível, às quais os pobres quase não têm acesso. Isto exacerba a desigualdade, e ajuda sua transmissão entre gerações. A alta concentração de renda prejudica o crescimento econômico do país, e dificulta a redução da pobreza. O esgarçamento do tecido social diminui a coesão da sociedade e aumenta a exclusão e a criminalidade. Além de tudo, gera-se um incalculável custo de oportunidade devido ao não aproveitamento do potencial de trabalho de milhões de jovens que constituem a grande massa de desempregados.
Portanto, é o diabo tão feio quanto se pinta?
Muitos autores, principalmente dentro da linha do liberalismo econômico, entre os quais eu destacaria o prêmio Nobel de economia de 1974, Friedrich Hayek, acham que não. Uma sociedade que busque a igualdade a qualquer custo tira o incentivo do cidadão lutar para progredir, podendo prejudicar sua eficiência econômica.
Então, como ficamos?
A desigualdade é para a sociedade como a ambição e a vaidade são para os indivíduos. Uma pessoa extremamente ambiciosa não mede esforços para atingir seus objetivos, prejudicando os que estão ao seu redor e a si mesma. Outra, sem nenhuma ambição, pode ficar o dia todo vendo tevê, só esperando seu Bolsa Família no final do mês. Aquele sem vaidade pode descuidar até de sua higiene pessoal, enquanto o vaidoso demais se torna um narciso.
Uma sociedade sem desigualdade mata o incentivo de trabalhar, enquanto outra, muito desigual, prejudica o desenvolvimento econômico e social do país.Assim, o diabo é tão feio quanto ele o é, nem mais, nem menos. Se adotarmos políticas econômicas equivocadas no afã de resolver a questão da desigualdade, podemos prejudicar a eficiência econômica do país sem resolver a questão social.

O autor é Doutor em Administração Pública e Governo, na área de Finanças Públicas, pela FGV, Mestre em Administração pela FEA-USP, não tem Rolex e nem troca a cachacinha de Januária pelo champanhe Francês.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O lado bom da Desigualdade Econômica: será o diabo tão feio quanto se pinta? (Parte 1)


Por Sergio Luiz de Moraes Pinto*
(O autor na ilha paradisíaca do Caribe citada no texto)

Quando se fala em desigualdade de distribuição de renda, o primeiro pensamento que nos vem é de um milionário, usando um relógio Rolex, tomando champanhe francês, em contraposição a uma mulher maltrapilha com filhos subnutridos em redor. Se você imaginou o primeiro como sendo um homem branco de meia idade e a segunda, jovem e negra, as pesquisas do IBGE dizem que você acertou.
Mas será a desigualdade tão ruim quanto pensamos? Vou discutir este tema em dois artigos,imaginando diferentes paises, que não nomeio para evitar celeumas apaixonadas que desviariam o debate do tema principal. Mas, qualquer semelhança com paises reais não é mera coincidência. Primeiro, vamos imaginar uma sociedade com pouquíssima desigualdade. Para dourar mais seu sonho, coloque este país em uma paradisíaca ilha do Caribe. As diferenças salariais são muito pequenas, e tanto o médico, o engenheiro e o pesquisador universitário, quanto o faxineiro, o operário e o cortador de cana recebem aproximadamente o mesmo salário, por volta de US$ 25 mensais. É isto mesmo, menos de R$ 50,00 por mês. Todos moram em casas semelhantes, que pertencem ao Estado, para o qual pagam um aluguel entre 1 e 2 dólares mensais. O Estado também propicia educação e assistência médica de boa qualidade para todos. Mais do que isso, o Estado subsidia uma cesta básica para cada família (por US$ 3,00) e o transporte.
Qual o resultado da satisfação obtida pelos trabalhadores deste país, todos bem educados, com uma assistência médica de primeira, moradia, alimentação garantida, e uma excelente distribuição de renda? Uma produtividade no trabalho péssima e uma economia extremamente ineficiente.Ok, vocês vão falar que peguei um país que, antes da implantação do regime político que buscou a maior igualdade possível, já era pobre. E se imaginarmos uma outra sociedade, ricao, onde todos os habitantes são loiros, altos e de olhos claros, como deuses nórdicos? Um welfare state quase perfeito, no qual até os espantalhos dos campos onde se plantam os cereais para fazer aquavit, a cachaça dos povos nórdicos, são bonitos e bem tratados.
No próximo artigo, analisarei se a igualdade é realmente desejada em uma terra de formigas e cigarras, tentando descobrir se o diabo, com ou sem charuto, é feio mesmo, ou apenas pintado como tal.
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O autor é Doutor em Administração Pública e Governo, na área de Finanças Públicas, pela FGV, Mestre em Administração pela FEA-USP, não tem Rolex e nem troca a cachacinha de Januária pelo champanhe Francês.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Abaixo a educação!

Por Oswaldo Gonçalves Jr*

Na era do reality show, vale tudo pra aparecer. Para os bem sucedidos, um convite pra posar na Playboy ou na GMagazine e no bolso um milhão. Por mais estranho que isso possa parecer, o anseio por aparecer a qualquer custo não está mais restrito ao mundo das futilidades, mas também na imprensa, setor o qual supostamente o conteúdo importa.
Nessa toada, alguns articulistas não têm medido esforços. Em seus artigos escolhem com maestria conexões com recônditos da mentalidade humana, impulsionados por um certo clima de mesmice que paira no cenário nesses tempos de estabilidade nacional. Colocando-se como visionários, dão nova roupagem a dilemas que ainda habitam mentes refratárias que não superaram certos paradigmas, mesmo após o fim da Guerra Fria.
São exemplos de profissionais exímios que circulam pela nossa nada concentrada e democrática mídia de altíssimo nível. São hábeis na arte de confeccionarem artigos escancaradamente tendenciosos e burlescos, que uma rápida aula de filosofia chamaria a atenção para a inexistência de premissas como a dialética e o espírito crítico mais básico.
Falando em aula, Gustavo Ioschpe tem se dedicado a escrever sobre o tema educação nos seus últimos artigos na Revista Veja, vociferando seu ódio contra os professores – segundo ele uma abordagem bastante inovadora – já que estes seriam os grandes responsáveis (culpados), e não vítimas partícipes de uma situação maior, verdadeira tragédia nacional, como todos nós, medíocres, vimos inocentemente acreditando. Fomos e somos apenas manipulados pelo espírito corporativista e pelos sindicatos, assim como a população alemã o fora pelos nazistas e os cubanos o são por Fidel, como nos alerta.
De forma leviana, acusa nas entrelinhas e, se dizendo apenas querer “gerar dúvidas” para que sejam revistas “visões sedimentadas”, subliminarmente sua narrativa conduz o leitor à conclusão que o grande problema da educação é um ato de (má) vontade e, porque não, da personalidade intrinsecamente vil dos professores, sujeitos os quais o auto-interesse se coloca acima dos da nação. Manipula estatísticas, fazendo uso da “matemagia” e explicita seu conhecimento enviesado sobre o tema através de generalizações absurdas e construções inconsistentes.
No entanto, o articulista parece estar bastante estimulado, tamanha a indignação que tem causado, gerando um elevado número de comentários de leitores e internautas (tem conseguido a concordância de alguns também, é bom que se diga...). Ou seja, está chamando a atenção e não me surpreenderia se logo, logo, o articulista aparecesse na capa da GMagazine.
Provavelmente não entendo tão bem a educação nacional quanto Ioschpe. Talvez por isso meu lema atual seja “abaixo a educação!”. Para o bem dos pobres e da nação, torço para que ela saia de moda o quanto antes para que “especialistas em educação”, como se intitula o referido articulista, vão procurar outro tema para entreter as mentes órfãs de Paulo Francis desse país. Disse Montaigne que “os que tentam corrigir os males da nossa época com idéias que estão na moda, só porque estão na moda, corrigem a aparência viciada das coisas, mas não o fundo delas, que piora sempre”. Então, quando todo esse modismo passar, continuarão os mesmos professores “ruins” de sempre, por 30 ou 40 anos lecionando, vendo entrar e sair de cena especialistas, tecnocratas e toda ordem de profissionais titulados que observam a vida pela janela do “planeta do ar-condicionado”.
Em tempo, não se trata de fazer uma defesa ingênua de categorias profissionais como a dos professores. Freqüentei suficientemente “salas de professores” e posso fazer uma lista que superará em muito os argumentos de Ioschpe. Apesar disso, não me privo do direito de esperar que sobre temas tão relevantes se estabeleça um debate digno de ser chamado de “inteligente”.


* Oswaldo Gonçalves Jr., Doutorando em Administração Pública e Governo pela FGV-SP. Ex-professor, hoje leva uma vida luxuosa numa praia paradisíaca do Caribe cercado de belas mulheres e drinks alucinantes. E-mail: osgoju@yahoo.com.br

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Prática da corrupção: ninguém está olhando!

Por Gilberto T. Suzuki*
As pessoas fazem algumas coisas escondidas dos outros. Na ausência dos pais, os filhos aprontam dentro de casa, quando os professores não estão olhando durante a aplicação das provas, alguns alunos “colam”, os ladrões roubam quando não há ninguém dentro de casa ou do automóvel. Nestes casos, a sensação é de que “ ninguém está olhando” e “tudo pode”.
Penso que o mesmo ocorre com a famosa corrupção na política, a idéia é de que “ninguém está olhando”, ou talvez “não acontece nada aqui no Brasil” , a famosa impunidade.
Pergunto: o ideal seria ter sempre a presença dos pais para que os filhos não aprontem? Ter uma polícia mais efetiva nas ruas para que os bandidos não roubem? Os professores devem dobrar a atenção para que os alunos não colem? Deve haver um acompanhamento maior por parte da população e uma política mais severa para punir os corruptos?
Estas alternativas poderiam diminuir estes problemas, entretanto, resolveriam apenas parte do problema, pois o ideal seria que os filhos fossem comportados, que os alunos estudassem para as provas, que houvesse trabalho para todos, que não existissem ladrões e que os políticos fossem honestos por natureza.
Tudo isso são ideais, um pouco ou muito diferente do real. Quando falamos do real, falamos das nossas imperfeições, limitações e quando falamos do ideal, falamos de princípios.
De que forma podemos diminuir a distância entre o real e o ideal? Acredito que primeiro passo consiste na reflexão destes ideais e perceber como estes princípios podem tornar a nossa vida mais justa, o segundo passo depende de cada um de nós, ou seja, de nossas atitudes.
Você poderá sugerir outros passos para diminuir esta distância, escreva!!
*Gilberto Takashi Suzuki é mestrando em Planejamento do Desenvolvimento no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (UFPa-NAEA). Atua como Professor da Universidade da Amazônia (UNAMA) e do Insitututo de Estudos Superiores da Amazônia (IESAM) ambas sediadas em Belém, no estado do Pará. Suzuki também é colunista do site do NEAD-UNAMA. (Clique aqui para ler outros artigos do autor)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Políticas e ações públicas inovadoras para 2008!

Colegas que acompanham nosso BLOG,

Que tal começarmos 2008 com espírito inovador? Mostraremos, nesse primeiro post, quatro experiências de uma forma diferente de se fazer Gestão Pública com Cidadania. Para os mais chatos e detalhistas, que entendem que público é uma palavra exclusiva do Governo ou do Estado, deixamos claro que o sentido que empregamos aqui é outro, ou seja, palavra que pode abranger prefeituras, sociedade civil organizada, etc. E como isso não é uma tese, mas apenas um humilde espaço jornalístico, vamos ao que interessa:

1 - Plano Municipal Integrado de Segurança Pública (Estado de São Paulo)
Esse plano é desenvolvido pela Prefeitura Municipal de São Carlos e tem por objetivo integrar secretarias e órgãos municipais e estaduais, para melhor aproveitamento dos recursos públicos para combater a violência. Inúmeras ações pontuais e contextualizadas com a realidade local foram realizadas, como a criação de conselhos e modernização de instalações, frotas, equipamentos e iluminação pública. Entretanto, as principais decisões sobre o projeto sempre foram tomadas com a participação da sociedade local.
Informações mais detalhadas sobre o projeto podem ser coletadas na Rua Conde do Pinhal, 2017, no município de São Carlos – SP, ou pelo telefone (0XX16)3362-1045, ou pelo site http://www.saocarlos.sp.gov.br/, ou ainda via e-mail: gabinete@saocarlos.sp.gov.br

2 – Projeto Saúde e Alegria (Estado do Pará)
Trata-se de uma Organização Não Governamental (ONG) que atua em comunidades ribeirinhas, desde 1987, com o objetivo de trabalhar o desenvolvimento comunitário integrado e sustentável dos povos das águas atuando na área de saúde preventiva, organização comunitária, geração de renda e educação.
A ONG atua em 150 comunidades ribeirinhas que habitam nas margens do rio Tapajós, que margeia os municípios de Santarém, Aveiro e Belterra no Estado do Pará, totalizando aproximadamente cerca de 30 mil pessoas, que recebem atendimento médico e odontológico. Para saber mais sobre o Projeto, clique aqui ou acesse o site do PSA.

3 – Piraí Digital (Estado do Rio de Janeiro)
“O objetivo do programa “Piraí – Município Digital” é a democratização do acesso aos meios de informatização e comunicação com o intuito de gerar oportunidades de desenvolvimento econômico e social. Assume-se, como pressuposto, a visão estratégica de uma sociedade de informação local, na qual o cidadão se torna o principal ator na produção, gestão e usufruto dos benefícios das novas tecnologias de informação e comunicação” (SADAO, 2004). Para saber mais sobre o Programa clique aqui.

4 – Programa Gestão Pública e Cidadania – PGPC (Brasil)
Este programa é uma iniciativa da Fundação Getulio Vargas e Fundação Ford, com apoio do BNDES, e tem como objetivo “contribuir para enriquecer o conhecimento e estimular o debate e a reflexão crítica sobre os processos de transformação em andamento na gestão pública subnacional no Brasil, a partir da experiência concreta de governos inovadores” (Site do PGPC). No site desse programa é possível identificar Clique aqui!

Ações públicas contextualizadas podem ser muito úteis para aproximar sociedade civil e governo em prol de uma vida melhor para todos os cidadãos.
Que 2008 seja um ano de muitas inovações para a sociedade brasileira e mundial!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Natal Feliz - Feliz 2008!


Colegas,

Agradecemos a todas (os) nossas(os) usuárias(os) e colaboradoras (es) por tornar nosso BLOG um BLOG de todas (as) que se ligam (ou não) em política. Assim, desejamos um Natal Feliz-Feliz 2008!

"Tô Ligado na Política"